quarta-feira, 21 de outubro de 2009

o mofo.

o assassino era o escriba.

meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
casou com uma regência.
foi infeliz.
era possessivo como um pronome.
e ela era bitransitiva.
tentou ir para os EUA.
não deu.
acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
a interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

[Paulo Leminski].

2 comentários:

Juliana Camila disse...

hihihihihihi..achei que era você a escritora desse texto.
Um dia né Annezinha!
Beijosss

Crônicas Conquistenses disse...

Leminski é ( no presente mesmo ) o cara!!!

Adoro suas tiradas curtas e cheias de sentido.

" nada me demove
ainda vou ser o pai
dos irmãos karamazov"

" passa e volta
a cada gole
uma revolta "

etc...etc...etc..

Agora que descobri esse cantinho, assim que o cinza da rotina me permitir, sempre estarei por aqui.
:)