sábado, 12 de janeiro de 2008


a vida com seus defeitos, cinzas, brancos, estagnações, paradas, frios, silêncios, amenidades. a vida que pode não acelerar o peito e deixar tudo com estrelinhas de purpurina. mas que é incrível por ser real. a vida que não se escreve mas se vive, mesmo que isso, muitas vezes, seja ainda mais difícil que qualquer regra gramatical ou construção literária. (tati bernardi –o não texto).

a música é um troço esquisito. difícil ver. pior é sentir. fala de umas coisas tão bobas. faz doer o que deveria ser bom. e faz fácil o que seria impossível. não entendo mais as letras... os sons é que tocam. e a gente tenta metamorfosear cheiros, olhares, toques e gostos. tenta transformar em algo plausível, racional. não... quero uma clave de sol em mim. um dia a gente entende.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

j.c.c.




há coisas que apenas por tentativas acontecem.


tentativas de me ser, sendo.
revendo velhos conceitos
abandonando certos mitos

eu te aceito e me aceito.

e assim te quero.
assim eu sinto.

e me sinto.

sorriso brota involuntário.
nos olhos a mensagem:
penso em você.



feliz 2008.



sim, existir é incompreensível e excitante. (caio fernando abreu)

sábado, 10 de novembro de 2007

the sweet child in me.


não tenho suportado o escuro, o silêncio. e não reconheço mais em mim as coisas que antes me interessavam. tenho andado sem rumo por entre as ruas. observando as pessoas como se elas fizessem parte de um filme, o meu filme, como se realmente importassem, estranho, estranho. estou mais solícita e compreensiva, irritante. numa compulsão horrível por viver. por sentir. uma fome de todos os sabores possíveis, de querer abrir a boca e comer o mundo de uma vez só. boicotar todas as estratégias, psicologicamente tão complexas e tão idiotas, de me esquivar da dor, querendo ser arrebatada por todas essas sensações tão humanas. e tão estranhas a mim. mas ainda conservo um certo ar blasé para disfarçar a minha humanidade. disfarçar de quem?
um passo de cada vez, você me diz. mas como exigir de uma criança que está aprendendo a andar, e está indo em direção ao brinquedo que acabara de ganhar, um passo de cada vez? ela tropeçará, caíra, chorará até ficar roxa. assim como eu, tropeçarei, cairei, chorarei até não ter mais pulmões. mas enfim chegarei ao meu brinquedo novo, e o agarrarei com todas as forças e ficarei por horas, dias e até séculos contemplando fascinada, e finalmente livre.
seu brinquedo novo? – você pergunta.
sim. – eu respondo. totalmente novo: a vida.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

desvario/devaneio.

como é difícil estar aqui. e agora.
e entono um monólogo sôfrego.
e me tomo sem ar, sem vez, sem voz.
e mergulho no que não quero.
e tudo ao redor vai sem mim.
e retorna sem que eu veja.
amorteço sobre a minha existência.
pele sem sensor.
pensamento sem nexo.
eu vou sem.
de querer ser com.
de me jogar pela janela.
sem saber que ela não abre.
e estilhaçar o vidro.
para contemplar cristais caindo.
e ver luzes sobre meu corpo.
que acontecem sem o contato da minha presença.
e me ter esquizofrência. trôpega. e louca.
e cair... sem fim.
e eu estou tentando gostar da minha vida insuportável.
ausência de mim mesma. não estou aqui.
não estou.
aqui.
não.

senti.me(i)nto

e tem esse autor que descobri faz algum tempo, mas nunca havia parado para sentir suas palavras. hoje parei. e senti. e senti...

frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. para que o protejam, para que sintam falta. tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. bali, madagascar, sumatra. escreverá: penso em você. deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar... (verdade interior - caio fernando abreu)

domingo, 15 de julho de 2007

refém de palavras.

escrever me entorta.
escrever me entorpece.
escrever me enerva.
escrever me enobrece.
linhas e mais linhas de algo sem sentido. apenas sentido.
as palavras são meu domínio sobre o mundo.
e escrevo... escrevo... fico do lado de dentro.
saio de mim.. ou será que entro?

by anne (15/07/o7 - 3:28 pm)