sexta-feira, 2 de julho de 2010

cinco.


Camino por madrid en tu compañía,
Mi mano en tu cintura,
Copiando a tu mano en la cintura mía.
A paso lento, como bostezando,
Como quién besa el barrio al irlo pisando,
Como quién sabe que cuenta con la tarde entera,
Sin nada más que hacer que acariciar aceras.

Y sin planearlo tú acaso,
Como quién sin quererlo va y lo hace,
Te vi cambiar tu paso,
Hasta ponerlo en fase,
En la misma fase que mi propio paso.

Ir y venir, seguir y guiar, dar y tener,
Entrar y salir de fase.
Amar la trama más que al desenlace,
Amar la trama más que al desenlace.

Fue un salto ínfimo
Disimulado,
Un mínimo cambio de ritmo apenas,
Un paso cambiado,
Y dos cuerdas que resuenan con un mismo número en distintos lados,
O el paso exacto de dos soldados,
Como dos focos intermitentes,
Subitamente así, sincronizados.

Dos paseantes distraídos
Han conseguido que el reloj de arena de la pena pare,
Que se despedace.
Y seguir que el rumbo que el viento trace.

Ir y venir, seguir y guiar, dar y tener,
Entrar y salir de fase.
Amar la trama más que al desenlace,
Amar la trama más que al desenlace.

Ir por ahí como en un film de éric rohmer
Sin esperar que algo pase.
Amar la trama más que al desenlace,
Amar la trama más que al desenlace.

Te vi cambiar tu paso,
Hasta ponerlo en fase,
En la misma fase que mi propio paso.

Amar la trama más que al desenlace,
Amar la trama más que al desenlace.

Camino por madrid en tu compañía.

Jorge Drexler - La Trama Y El Desenlace



feliz.

és minha vida.



o início. uma vida. hoje.





quarta-feira, 16 de junho de 2010

te vi cambiar tu paso,
hasta ponerlo en fase,
en la misma fase que mi propio paso...


...amar la trama más que al desenlace.

(jorge drexler)


quinta-feira, 1 de abril de 2010


deixemos passar o instante.
sussurrando cálido entre suspiros.

não há como tocá-lo,
enquanto ele se esvai.

como areia pura nos dedos,
a prece,
a escolha,
o deleite,
.............. ou lamento,
a memória.
.............. ou esquecimento.

quando se diz:
sossega coração...
que o instante só é,
enquanto passa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

o mofo.

o assassino era o escriba.

meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
casou com uma regência.
foi infeliz.
era possessivo como um pronome.
e ela era bitransitiva.
tentou ir para os EUA.
não deu.
acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
a interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

[Paulo Leminski].

terça-feira, 14 de outubro de 2008

catarse II


dor falha como em intervalos distantes remorsos resquícios reticentes
a loucura das pessoas em transe nas ruas inerte o corpo que vai
não sei não sonho controle desperto passado presente passado rasgado presente fulgura carne viva latejante que pulsa
madura.


humanidade decadente dorme em sono em pé o humano descalço decente
cinderela rainha dos mortos vivos que esperam esperam
decerto guardião noturno sonâmbulo barulhos ruídos insones olhares furtivos julgamentos escuros fiéis na inocência mentida dos rostos
sem nomes.


fé espreita suspeita alívio da existência engodo engano infame a pureza
dos olhos nublados dos cegos que vêem e clamam e clamam a justiça

a justiça sem direito o defeito impregna a mente da noite o cheiro o vício o ópio
do ódio inteiro em partes junções do coração que bate
dormente.

(...)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

unívocos.


sinto-me tão enfastiada de realidades que me abrigo em letras.

e me realizo em realidades outras.

que não possuem meu nome.

palavras estranhas em que busco sinônimos.

sôfrega e ambígua. mas repleta.

regojizo em frêmitos de inspiração.



by anne at 10:45 p.m.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

o dia em que traí clarice. (ou sobre quando conheci hilda.)


eu já havia lido o nome dela em alguns lugares. e eu reticente, fiel, só pensava em clarice.
não me falem de outra! não me mostrem, eu não vou ver. ela é a única.
poderia dizer que ‘a carne é fraca’. em se tratando deste assunto, realmente é.
caio já me prevenira “um olho no divino, um outro em astaroth. ninguém sairá ileso. como não se sai, afinal, da própria vida.” eu dei ouvidos? talvez por um tempo.
assim aconteceu, sempre sou seduzida. palavras são o meu ponto fraco... e foi assim que traí clarice.
clarice deitada em meu colo. seus olhos perscrutavam minha indecisão. eu a olhava também, mas meus olhos não souberam ser tão verdadeiros, nem tão inocentes, havia quase maldade neles.
acarinhei seus desejos, suas carências pensando: “eu vou traí-la. desculpe-me.”.
ela simplesmente sorriu como se já antevisse os fatos. ah!...clarice. sempre sabe...
sua expressão serena a princípio desconcertou-me. mas vi o que ela mudamente dizia: “você precisa. vá!”.
e assim me lancei nos braços daquela outra. clarice sabia. eram parecidas. a mesma dor as consumia, mas jorravam de maneira diferente.
hilda era envolvente, sensual. hilda desbocada, intrépida, fervorosa. quase em ebulição. me lembrou um certo nelson de outras viagens. sua obscenidade me tomou. ela escreveu em letras garrafais em minha testa: “"...e o que foi a vida? uma aventura obscena, de tão lúcida". marcou meu corpo com seus dentes, ela, a senhora obscena d.
e em sussurros bulinou em meus ouvidos: “que canto há de cantar o indefinível? o toque sem tocar, o olhar sem ver. a alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis. como te amar, sem nunca merecer?
lembrei-me de clarice, a minha clarice, mórbida, melancólica, profunda, escura. percebi que era seu jeito de amar a vida.
o quase gozo que hilda me proporcionava se tornou ínfimo diante do prazer de estar com clarice. o mesmo escuro de que sou feita, é o que me dá clarice. é o que me alimenta. mas hoje carrego pedaços de hilda comigo, hoje sou escura e obscena e sei que clarice entende. essa obscenidade que carrego comigo, hoje completa, não só a mim. mas também a ela... clarice.
e somos perfeitas agora, juntas.
e quando voltei, ela sabia que algo havia mudado, olhou-me diretamente nos olhos, ainda envergonhados pela traição, e segredou: "tão secreta é a verdadeira vida, que nem
a mim, que morro dela, me pode ser confiada a
senha, morro sem saber de quê.
e o segredo é tal que, somente se a missão
chegar a se cumprir é que, por um relance,
percebo que nasci incumbida
- toda vida é uma missão secreta."



agradecimentos à hilda hilst, caio fernando abreu e principalmente à clarice. minha doce clarice.

by anne. 7:46 pm.